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A Questão da Escala de Produção
O processo de fusões e incorporações, vivido hoje no mundo das corporações, sinaliza o aumento da escala de produção como seu objetivo principal, entendendo que uma escala maior propicia uma maior otimização dos recursos e a redução de custos. Este tem sido também o principal argumento utilizado nas análises relativas ao nosso setor financeiro. Você já deve estar cansado de ouvir falar sobre a privatização do Banespa como uma possibilidade visível de ganhos de escala na área e a sinalização de uma nova configuração do setor após a sua realização.
Do ponto de vista da análise técnica, aparentemente esse tipo de raciocínio aplicado aos bancos não apresenta nenhuma novidade, se não se considera as suas particularidades neste campo e entende a escala como uma questão meramente quantitativa, isto é, desvinculada da lucratividade. Deve ser ressaltado também que não há estudos evidenciando claramente as economias de escala obtidas com as aquisições e incorporações ocorridas no setor, até mesmo porque a maioria das instituições adquiridas tem passado por profunda reestruturação, demandada principalmente em função da qualidade de seus modelos de gestão e de seus créditos. Também não dispomos de estudos estimando esses benefícios, caso envolvessem apenas bancos sólidos. Sobre este aspecto, entendemos que um estudo consistente dessa questão deve considerar as especificidades dos bancos neste campo.

Dessa forma, a questão fundamental é saber o que determina e como devem ser medidas as economias de escala em bancos e para isso é preciso penetrar num campo ainda muito pouco explorado pela análise bancária. Trata-se do conhecimento da sistemática de preços praticada pelos bancos. Esta sistemática tão particular, caracterizada por uma forte ausência de racionalidade econômica, isto é, uma correlação entre custo e preço praticamente nula (mesmo no longo prazo), explica a existência de uma grande aleatoriedade na formação de seus resultados.

A ausência de uma correlação significativa entre custo e preço é explicada pelo fato da receita total ser determinada basicamente pelo valor/rendimento (spread) da produção, que chamamos de produção-valor, enquanto que o custo operacional total é função básica da quantidade de serviços demandada pelos clientes, isto é, da produção física - complementado pelo fato de não se observar proporcionalidade entre os valores transacionados por um cliente e a quantidade de serviços demandada por ele. A conclusão é que, de acordo com a nossa estimativa, 75% do preço pago estão relacionados com os valores transacionados (produção-valor) e 25%, com a quantidade dos serviços demandados (produção física). Essa condição dá ao preço bancário uma propriedade bem particular de preço "ad valorem".

Um outro ângulo de análise confirma a relevância dessa ausência de correlação. Considerando dois grupos de bancos: o primeiro composto por bancos que trabalham com clientes de maior renda/faturamento (a exemplo de Boston, Citi, Safra, BBA, etc), que vamos chamar grupo I, e o segundo, composto por bancos que trabalham com clientes de menor renda/faturamento (a exemplo de Bradesco, Itaú, Unibanco, Real, etc.), que vamos chamar grupo II (também conhecidos como bancos de varejo). Esta análise aponta que a escala em custos, medida em termos de ativo total, entre bancos do grupo I e do grupo II, mostra uma relação aproximada de 0,5 para 1 (neste caso, favorável aos bancos do grupo I). Por outro lado, se medida em termos de número de funcionários, por exemplo, a situação se inverte e mostra uma relação aproximada de 1 para 0,4 (aqui, favorável aos bancos do grupo II). Em termos de resultado final, medido pela taxa de lucro histórica dos dois grupos no período de 1985 à 1995, a relação é de 1 para 0,4. Ou seja, favorável aos bancos do grupo I. Estes dados embasam a conclusão de que as economias de escala vinculadas à produção física, que é determinante do nível dos custos unitários dos serviços, exercem influência menor sobre a lucratividade bancária.

Eles revelam também que o posicionamento de mercado do banco determina o tipo de escala preponderante, isto é, em que medida ela estará vinculada à produção-valor e à produção física. E o que é mais importante, o fato de um banco apresentar custos unitários menores não lhe garante melhor lucratividade em relação aos seus concorrentes. Este fato ocorre especialmente devido a um sistema de "preços dispersos", isto é, que não vincula quantidade de serviços demandados e valor pago por eles: conforme já observado, a parte relevante do preço (estimada em 75%) está vinculada aos valores transacionados e a maior parte dos serviços prestados ao cliente não se vincula diretamente a esses valores. Apesar disso, os benefícios de custos unitários menores devem ser considerados.

Estes fatos são indicativos da relevância de um posicionamento de mercado claro, tendo em vista as oportunidades de ganhos de escala vinculados aos dois conceitos de produção. Portanto, não se trata de focos excludentes, pois os bancos atuam numa estrutura de mercado do tipo segmentada, onde produtos e serviços básicos são adaptados para atender uma demanda heterogênea. Ou seja, as necessidades de cada segmento de clientes. Vale ressaltar, então, a grande facilidade dos bancos para alcançar os benefícios da segmentação de mercado. Em outras palavras, aplica-se a segmentação sem precisar realizar alterações relevantes na estrutura organizacional do banco.

João Maria Matos, mestre em economia pela PUC-SP, é consultor na área da gestão empresarial, especialista em análise de custos e gerenciamento da lucratividade em bancos.


Fonte: JM Consultoria e Treinamento, 00/00/0000

Por: João Maria Matos



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