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Para Reconquistar a Confiança
Os mercados externos não estão antecipando uma queda livre do real. Há quatro dias úteis a contar da última

sexta-feira, quando o real passou a flutuar livremente, a moeda brasileira foi cotada no mercado futuro, na Bolsa de Mercadorias de Chicago, a US$ 0,6345 para fevereiro, o que equivale a R$

1,57 por US$ 1,00. Para março, o real foi cotado, no mesmo mercado, em US$ 0,6275, o que corresponde a R$ 1,59 por dólar.

Claro, os mercados têm mudanças diárias e às vezes podem

apresentar oscilações abruptas em face de fatos novos. Verifica-se neste momento, porém, que as cotações do real no mercado futuro de Chicago para os próximos dois meses estão muito

próximas da cotação do dólar no Brasil em meados de janeiro.

O problema do Brasil, portanto, é conseguir manter a estabilidade cambial através de medidas destinadas a dar suporte ao

ajuste fiscal em que o governo está empenhado. Para os brasileiros bem-informados, isso parece óbvio, mas esse novo passo no processo ganha ainda mais importância quando ele é sublinhado

por alguém com a responsabilidade de Alan Greenspan, "chairman" do Federal Reserve Board (Fed) dos EUA.

Greenspan dedicou boa parte de seu depoimento de ontem perante a Comissão de

Orçamento da Câmara de Deputados dos Estados Unidos à análise da situação econômica do Brasil na fase pós-desvalorização do real. Ele demonstrou, na ocasião, uma lúcida compreensão dos

problemas que o País enfrenta neste momento, que, como ele disse, não são devidos apenas aos desacertos internos, mas também ao comportamento do sistema financeiro internacional. O governo

brasileiro entrou em um círculo vicioso, disse ele, tendo de financiar uma alta proporção de sua divida através de títulos a curto prazo. Mas, pressionado pelas sucessivas crises

internacionais a aumentar a taxa básica de juros, agravou cada vez mais seu déficit fiscal.

O Brasil não resolveu ainda esse problema, nem pode fazê-lo agora, sendo levado a manter

os juros elevados numa tentativa de conter movimentos especulativos em seguida à decisão de deixar o real flutuar. Mas começou a quebrar o círculo de ferro em que estava colocado por uma

política cambial rígida combinada com uma política de altíssimos juros. Falta realizar o ajuste fiscal para que as taxas de juro possam começar a cair significativamente nos próximos meses.



O desafio, como mencionou o "chairman" do Fed é duplo: avançar na contenção do déficit público e combater os efeitos da inflação, de modo a fortalecer a confiança e limitar o

potencial de contágio aos mercados financeiros e às economias dos mais importantes parceiros comerciais do Brasil, incluindo os Estados Unidos.

Greenspan não chegou a dizê-lo, mas

entendemos que o desejo dos parceiros do Brasil é de que o País, em vez de ser mergulhado em uma inflação insondável, possa voltar a crescer em relativamente pouco tempo. Só assim o Brasil

poderá manter o nível de suas importações dos Estados Unidos, da União Européia (UE) e, sobretudo, do Mercosul.

Isso vai depender, naturalmente, do nível de atividade, que só pode

ser impulsionado por um rápido crescimento das exportações. Com o mercado interno retraído e com o estímulo da nova taxa cambial, o Brasil tem de exportar muito mais do que vem fazendo e,

se não houver uma mobilização das empresas, não será impossível que nossas vendas externas aumentem 10% a 12% em 1999. Assim, as importações poderiam ficar no mesmo nível do ano passado

(US$ 57,5 bilhões).

Este é um cenário inteiramente diferente daquele com que se deparava o País. A âncora cambial também tolhia o movimento exportador e a única saída para evitar

que o déficit comercial explodisse parecia ser criar barreiras não-tarifárias às importações. O sistema brasileiro de comércio exterior continua precisando de aperfeiçoamentos,

especialmente no que tange a mecanismos de defesa contra a concorrência desleal ou "dumping". Mas o que setores do governo pareciam determinados a criar era um verdadeiro fosso

protecionista que poderia comprometer a abertura comercial.

Agora que nos livramos dessa armadilha, é trabalhar para exportar mais.


Fonte: Gazeta Mercantil, 21/01/1999

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