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A Redução da Taxa de Juros
A redução da taxa de juros é condição obrigatória para que o governo consiga a redução do déficit público que precisa obter. Por isso, a declaração do secretário-executivo da Câmara de Comércio Exterior (Camex), José Roberto Mendonça de Barros, de que as taxas de juros só deverão começar a cair em 1999, foi recebida com preocupação. Mas, infelizmente, ele estava apenas sendo realista.

O único instrumento de que o governo dispõe, hoje, para manter o fluxo de capitais externos e controlar o balanço de pagamentos é a taxa de juros elevada. Ele não precisaria manter as taxas de juros nestes níveis se conseguisse obter um superavit primário nas contas públicas, pois esse superavit permitiria manter estável a relação entre a dívida e o PIB.

É preciso considerar que a retomada do fluxo de capitais externos não dependerá apenas da alta remuneração oferecida pelos papéis brasileiros aos investidores estrangeiros. A rigor, apenas a confiança nos investidores estrangeiros na determinação do Brasil de realizar aquilo que o presidente da República disse em seu discurso de setembro é que permitirá a retomada dos fluxos de capitais a uma taxa de juros razoável. Ora, se é assim o acordo com os organismos internacionais não é suficiente para reconquistar a confiança da comunidade financeira internacional. Ela desejará verificar se, de fato, o Congresso endossará o plano de austeridade e se o governo terá condições de executá-lo, especialmente tendo em conta que apenas a sociedade cumpriu sua parte no "pacote" de novembro. Até que se tenha certeza de que o governo está adotando medidas de austeridade - e o mercado volte a ter confiança na política econômica do governo - passará algum tempo. Enquanto isso, será preciso manter uma taxa de juros elevada.

Há outro aspecto a considerar: o montante da dívida pública líquida, interna e externa. Segundo o economista Paulo Rabello, ele se situará em torno de R$ 375 bilhões até o final do ano. Ora, admitindo que no segundo semestre de 1999 se possa ter uma taxa de juros média de 22,5%, o serviço da dívida no próximo ano seria de R$ 84,4 bilhões, que precisaria ser financiado pela emissão de títulos públicos, aumentando portanto a dívida. Se essa previsão vier a confirmar-se, será difícil ter uma taxa de juros muito menor do que a atual.

O emprego dos recursos das privatizações no resgate de parte da dívida pública poderá - mas não antes do segundo semestre do próximo ano - permitir uma redução da taxa de juros. Enquanto não for possível reduzi-la, será quase certa uma queda mais acentuada da demanda interna e da atividade econômica.

Se, porém, o governo der sinais positivos de que tem os instrumentos para reduzir o déficit público e os está aplicando, será fácil restabelecer a confiança do mercado e, a curto prazo, diminuir de modo significativo a taxa de juros, o que permitirá a retomada da atividade econômica.


Fonte: O Estado de S. Paulo, 03/08/1999

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