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País Sobe no Ranking do Desenvolvimento Humano
Em uma lista de 174 países preparada com base em estudo da Organização das Nações Unidas, o Brasil passa a ocupar a 62ª posição, graças principalmente aos índices obtidos na área educacional

Pela primeira vez o Brasil alcançou a classificação de país de alto desenvolvimento humano, na avaliação do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Os índices educacionais foram os principais responsáveis pela melhora do desempenho.

O País ocupa agora o 62º lugar num ranking de 174 nações, que leva em consideração três características: expectativa de vida, educação - taxas de alfabetização de adultos e matrículas nas escolas - e renda ou Produto Interno Bruto (PIB) per capita. São esses fatores que compõem o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) definido pelas Nações Unidas.

No Relatório do Desenvolvimento Humano de 1998 (RDH-98) do PNUD, o Canadá continua a ocupar o primeiro lugar no ranking de 174 países, seguido da França e da Noruega. O Chile é o 31º colocado e a Argentina está no 36º posto.

O RDH-98 traz uma evolução do IDH para um grande número de países com base em informações oficiais referentes aos anos de 1960, 1970, 1980, 1992 e 1995. Em uma escala que vai de zero a um, há três grupos de classificação pelo desenvolvimento humano: baixo (menos que 0,5), médio (entre 0,5 e 0,8) e alto (acima de 0,8). O Brasil alcançou, com base nos dados relativos a 1995, o índice 0,809.

Dos três indicadores que compõem o IDH, a educação foi, de longe, o que mais melhorou no Brasil nos cinco primeiros anos da década, enquanto nos anos 70 foi a renda per capita e, nos 80, a expectativa de vida.

Avanço - A classificação do Brasil, segundo o estudo, melhorou sensivelmente, partindo-se da análise dos dados de 1960 até 1995. Há 38 anos, o País estaria colocado entre aqueles que exibiam um baixo desenvolvimento humano, com um índice de 0,394. Em 1970, foi possível atingir 0,507 (médio desenvolvimento) e, dez anos depois, os indicadores permitiram um IDH de 0,673. Em 1992, o PNUD atribuiu índice 0,756 ao Brasil.

Em 1995, a expectativa de vida entre os brasileiros (66,6 anos) superava a média mundial (63,6) e a dos países em desenvolvimento (62,2), mas ainda continuava muito inferior à média encontrada entre os países industrializados (74,2).

A mesma situação repete-se quando o Brasil é comparado com outras nações no aspecto educacional: taxas de alfabetização de adultos combinada com as matrículas nos três níveis de ensino.

Já em relação ao PIB per capita ajustado, a média nacional (1%) é ligeiramente inferior à mundial. Apesar disso, o IDH brasileiro em 1995 (0,809) era superior à média registrada em nível internacional (0,772).

Em outras comparações, o Brasil manteve posição intermediária no quadro internacional. Quando comparado aos 44 países que têm mais de 20 milhões de habitantes, o País ficou em 17º lugar, logo abaixo da Malásia e acima da Turquia. No grupo de 22 países que integram América Latina e Caribe, o indíce nacional para 1995 (0,809) ocupa apenas a 12º colocação, entre Colômbia e Equador.

Melhora geral - Segundo as conclusões do trabalho, embora persistam as discrepâncias regionais no País, as melhorias atingiram todas as regiões, tendo sido mais acentuada a evolução nas regiões menos desenvolvidas: Norte e Nordeste.

Apesar disso, em 1996, nenhum dos Estados do Nordeste havia chegado ainda à categoria de alto desenvolvimento humano, enquanto no Norte apenas Rondônia e Roraima atingiram esse nível.

No global, enquanto em 1970 nenhum Estado havia alcançado alto IDH e 16 estavam classificados como de baixo IDH, em 1996 nenhum Estado estava no grupo de baixo IDH e dez, além do Distrito Federal, situavam-se no grupo de alto IDH.

O Sudeste, que tinha o maior IDH em 1970 e 1980, perdeu essa posição para o Sul a partir de 1991, por pequena margem. A Região Centro-Oeste aproximou-se muito rapidamente dessas duas nesses 26 anos, graças, principalmente, ao desempenho de Mato Grosso do Sul.

Em 1996, o Estado com IDH mais elevado era o Rio Grande do Sul, praticamente empatado com o Distrito Federal e seguido por São Paulo e Santa Catarina.

No extremo oposto, estão os Estados que exibiam os piores índices de desenvolvimento humano no início da década: Piauí, Alagoas e Maranhão.

A renda foi o maior responsável pelo aumento do IDH no período entre 1970 e 1996. Na década de 70, o incremento do PIB per capita explica cerca de 2/3 do crescimento do IDH. Já nos anos 80, a maior parte do avanço deu-se em razão da melhora nas condições educacionais e na longevidade. Entre 1991 e 1996, as melhorias registradas na dimensão educação repondem por cerca de metade da variação do IDH.

Inovação - Uma inovação no relatório apresentado este ano é a inclusão de indicadores municipais: o índice de desenvolvimento humano municipal (IDHM), que leva em conta praticamente as mesmas variáveis que o IDH do PNUD (longevidade, nível de educação e renda per capita), e o ICV, índice de condições de vida, que usa metodologia similar, mas amplia o número de variáveis consideradas.

O trabalho de levantamento dos indicadores dos municípios foi desenvolvido conjuntamente pelo PNUD, Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e Fundação João Pinheiro (FJP). Trata-se da primeira base de dados que permite analisar a situação dos 4.491 municípios brasileiros e sua evolução no tempo, com dados relativos a 1970, 1980, 1991, 1995 e 1996.

"É um esforço de criar instrumentos para a observação e análise da realidade brasileira, que permitam planejar com base em informações que retratem a realidade", diz Régis Bonelli, do Ipea, um dos responsáveis pela redação final do relatório.

Diferenças regionais - Segundo a pesquisa de IDHM, no ano de 1991, 40% dos municípios brasileiros apresentavam baixo IDH e apenas 1,8% se classificavam como de alto IDH. Todos os de alto desenvolvimento humano estavam localizados nas Regiões Sul e Sudeste, à exceção do Distrito Federal. No extermo oposto, 77% dos municípios de baixo IDH estavam no Nordeste, região que possuía 93% de seus municípios dentro dessa classificação, enquanto na Região Sul apenas 1,6% se enquadravam nessa categoria e 5,8% classificavam-se como de alto desenvolvimento humano.

Já o ICV considera carentes os municípios classificados abaixo da média nacional, estipulada em 0,723. Por esse critério, em 1970, quase todos os municípios brasileiros, nos quais vivia 90% da população do País, eram carentes. Já em 1991, a proporção de municípios carentes caiu para cerca de três quartos, vivendo neles pouco mais da metade da população brasileira.

No Nordeste, a maioria dos municípios ainda era carente em 1991, com exceção quase apenas das capitais.

No que diz respeito à renda, o porcentual de municípios carentes declinou de forma acentuada na década de 70, mas voltou a elevar-se nos anos 80. Apesar disso, em todas as demais dimensões (educação, longevidade, habitação e infância) houve um recuo no porcentual de municípios carentes nas duas décadas.


Fonte: O Estado de São Paulo, 09/09/1998

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