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Bancos Buscam Padrão Internacional de Eficiência
Declínio da margem de ganho e concorrência levam instituições a perseguirem a redução dos custos e o aumento das receitas

Eficiência é o nome do jogo do sistema financeiro nos dias de hoje. Apesar do ritmo de "stop and go" dos primeiros quatro anos de programa de estabilização econômica, os bancos já se convenceram de que terão que conviver com juros mais baixos, custos menores, mais receitas de crédito e de tarifas.

Ao elevar os juros para minimizar o contágio da crise asiática, o Banco Central (BC) involuntariamente deu um prazo extra para o ajuste dos bancos. A alta das taxas reviveu os dias de glória das tesourarias no primeiro semestre deste ano. Mas ninguém se acomodou a este cenário transitório.

Quando comentou o expressivo lucro consolidado de R$ 394 milhões do Itaú no primeiro semestre, que lhe garantiu uma lucratividade de 18,4%, o presidente do banco, Roberto Setúbal, colocou a busca da eficiência como a principal meta da instituição. "As margens vão cair com a redução dos juros e precisamos melhorar a equação volume versus custos", disse Setúbal.

Entre os grandes bancos privados de varejo o Itaú está em uma posição de certa forma privilegiada. Medido internacionalmente pela divisão da soma das despesas de pessoal e administrativas pela soma da receita de juros e de serviços, o índice de eficiência do Itaú era de 68% no primeiro semestre - o que significa que suas despesas consomem 68% das receitas principais, sem incluir o resultado de seguros, previdência privada e capitalização. A fórmula sintetiza o grande desafio atual dos bancos: aumentar as receitas e reduzir os custos.

O índice do Itaú melhorou em relação aos quase 72 % do final do ano passado e 74% de 1996. É inferior aos 69% de seu concorrente imediato, o Bradesco que, de seu lado, avançou bastante em comparação com os 78% do final de 1997. Além disso, o Itaú tem espaço para melhorar à medida em aprofundar a integração da máquina do Banerj, adquirido no ano passado.

Mas está distante dos grandes bancos norte-americanos e dos europeus que estão agora entrando no mercado brasileiro. Eficiência é uma obsessão para os bancos estrangeiros há algum tempo. Por esse critério, os bancos brasileiros ainda têm muito que melhorar. Enquanto os grandes bancos americanos trabalham em geral com um índice máximo de 50%, os maiores bancos privados brasileiros estão na faixa de 70% a 80%. Alguns estatais chegam a superar os 100%. No Banco do Brasil (BB), por exemplo, as despesas superavam as receitas em nada menos que 30%.

O campeão em eficiência em uma amostra coletada pelo analista do Banco Bozano, Simonsen, Pedro Guimarães, é o NationsBank, com um índice de 34%, o que eqüivale a dizer que suas despesas representam apenas um terço das receitas. Quanto menor o índice, melhor a eficiência. O BankBoston, entre os médios norte-americanos, vem a seguir, com 46%. Prova de que gigantes também conseguem ser eficientes são o Citibank, com um índice de 49%, e o Chase, com 52%.

Mesmo que o Itaú não se desse conta espontaneamente do desafio, os estrangeiros recém chegados ao mercado brasileiro estariam lá, para lembrá-lo.

Os bancos estrangeiros trouxeram com eles a cultura da busca de eficiência, mesmo porque seus mercados domésticos tornaram-se mais competitivos há mais tempo. Além disso, eles tem suas matrizes como poderosos "benchmarks" e são obrigados a seguí-los, como contou o diretor da área de finanças do HSBC Bamerindus, Emilson Alonso.

O índice de eficiência do grupo HSBC no mundo é de 52%. O número no Brasil faria corar qualquer comptroller britânico: chega a escandalosos 96% pelo balanço do primeiro semestre. Mas o banco tem um bom motivo: assumiu o comando do combalido Bamerindus há cerca de 16 meses em uma operação em que levou mais passivo do que ativos gerados de receita. Portanto a equação de eficiência ficou desequilibrada.

Ademais, pelo que disse Alonso, o período de graça dado pela matriz esgotou-se. Tanto é que as metas do banco são elevar a receita para torná-la mais compatível com o tamanho da rede e reduzir os custos com a automação.

Para Alonso, o índice de eficiência deve ser olhado com muita atenção pelos bancos principalmente agora que a concorrência tornará as margens de lucro mais estreitas. Muitos bancos acreditam que o aumento dos volumes negociados compensaria a queda da margem. O diretor do HSBC Bamerindus diz que não: "Quando se aumenta o volume negociado, os custos crescem, mas a margem de ganho não acompanha o movimento". Para ele, o mercado tem que ficar atento ao índice de eficiência. "É onde se ganha o jogo. Ele mostra a capacidade do banco de absorver provisões e ainda dar lucro", disse Alonso.

O grupo Santander Brasil é outro estrangeiro que vem de uma seqüência de aquisições e consolidação das operações compradas e agora considera-se pronto para cuidar da eficiência, disse o diretor executivo no Brasil, Walter Shinomata. O índice de eficiência da matriz não está entre os mais baixos do mercado internacional, é de 71%, mas ainda assim é bem melhor que os 94% exibidos no primeiro balanço consolidado das operações brasileiras no primeiro semestre.

Mais antigo no mercado brasileiro e com uma estrutura mais enxuta, o BankBoston tem um índice de eficiência de 65%, sem contar os investimentos ao redor de US$ 80 milhões que estão sendo feitos no projeto de dobrar a rede de agências. Mas a meta é reduzi-lo abaixo de 50% para chegar perto do parâmetro da matriz.

O vice-presidente de finanças do BankBoston, Alex Zornig, afirmou que algumas peculiaridades do mercado brasileiro tornam a busca pela eficiência mais árdua, embora a informatização do sistema seja das mais avançadas. "Nós pagamos 14 salários por ano mais encargos pesados. E compensamos cheques em 24 horas, por exemplo. Tudo isso encarece os custos", exemplificou.

Índices de eficiência piores do que o de bancos internacionais não impede, porém, os bancos brasileiros de terem lucratividade igual ou maior. Como disse o analista do Bozzano, os bancos espanhóis são mais lucrativos apesar de não terem os melhores índices de eficiência porque são mais alavancados. Nos bancos brasileiros, o ganho ainda mais está concentrado nas operações de tesouraria do que nas de crédito. Já a margem líquida (relação entre a receita da intermediação financeira e os ativos totais) é maior nos brasileiros por causa dos juros elevados. Mas o analista prevê que, com o aprofundamento do programa de estabilização, a margem líquida média do sistema brasileiro cairá de 7% para 5%. As operações de tesouraria serão menos atraentes e as instituições precisarão aumentar e alongar os empréstimos.

Os bancos brasileiros, disse Guimarães, são menos eficientes operacionalmente porque possuem despesas administrativas elevadas, devidas à extensa rede de agências. Os banqueiros acrescentariam que, em alguns casos, o quatro de pessoal ainda é elevado, apesar dos cortes que vêm sendo realizados desde a década passada.



Fonte: Gazeta Mercantil, 12/08/1998

Por: Maria Christina Carvalho de São Paulo



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