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Estrangeiro Cresce no Mercado de Seguro
Participação no total de prêmios saltou de 6,3%, em 96, para 20,8% até maio

deste ano

A participação de grupos estrangeiros no mercado segurador brasileiro cresceu significativamente nos últimos dois anos. Segundo dados da Superintendência de Seguros

Privados (Susep), em 1996, o capital estrangeiro somava R$ 956,29 milhões em prêmios, representando 6,33%do faturamento do setor. Um ano depois, este percentual, subiu para nada menos que

17,94%, correspondendo a um volume de prêmios de R$ 3,299 bilhões.

De acordo com o diretor da Susep, Neival Rodrigues Freitas, este aumento expressivo ocorreu a partir de 1996,

quando a Advocacia Geral da União (AGU) deu um parecer dizendo que não havia necessidade de autorização prévia do Governo para ingresso de capital estrangeiro no País, como ocorre no setor

bancário. Este ano, só até maio, os prêmios já totalizavam R$ 1,630 bilhão, o equivalente a 20,86% da produção do mercado, que atingiu R$ 6,185 bilhões neste período.

O diretor da

Susep estima que esses números tendem a crescer ainda mais em função da compra de 40% do capital votante do Banco Real pelo holandês ABN Amro Bank, que vai incorporar duas das três

seguradoras do Real e a empresa de capitalização. Além disso, a Toro Targa, seguradora do grupo Fiat, adquiriu, recentemente, a Phenix Seguradora, de Porto Alegre. Existe ainda a

possibilidade de a Cigna exercer o direito de compra da Golden Cross, ao final do contrato de gestão que vigora por mais dois anos. "Se forem mantidos os percentuais atuais, o volume de

prêmios do capital estrangeiro vai chegar a R$ 4,2 bilhões este ano, ante R$ 3,3 bilhões em 1997", prevê.

De acordo com informações de mercado, a parceria entre o ABN e o Banco Real

envolve R$ 2 bilhões. O diretor de automóveis da Real Seguros, Maurício Accioly, afirmou que até o final deste mês, ou no mais tardar início de setembro, o ABN deverá finalizar a avaliação

dos ativos do grupo Real. "Até lá, questões operacionais serão definidas." Ele destacou que a parceria vai dinamizar a venda de produtos de seguro pelo canal de distribuição do banco. No

primeiro semestre, o grupo Real Seguros obteve crescimento de 24% em comparação a igual período do ano passado, com receita de prêmios passando de R$ 181,4 milhões para R$ 224,3 milhões.



Existem três formas de ingresso de capital estrangeiro no mercado segurador brasileiro: através de aquisição total das ações da empresa brasileira, por meio de "joint venture" ou

como sucursal de um grupo estrangeiro. A American Home está registrada no País desde 1958 e vinha atuando como sucursal do American International Group (AIG). O diretor-geral da empresa,

Ricardo Braga de Andrade, destacou que a companhia está passando por um processo de nacionalização. "Este processo vai nos permitir atuar em outros ramos como vida e previdência privada",

explicou.

No ano passado, a AIG formalizou parceria com a Unibanco Seguros, num negócio que envolveu R$ 550 milhões. Desta forma, a AIG adquiriu 50% das ações da Unibanco Seguros e,

por sua vez, esta passou a ter 50% das ações do grupo, que inclui as empresas AIG Life, Interamericana e a American Home. Ricardo Andrade afirmou que o ingresso de capital estrangeiro no

setor brasileiro de seguros tende a aumentar nos próximos dois anos por vários motivos, entre eles a estabilidade econômica e monetária do Brasil e o potencial de crescimento deste mercado.

"O Brasil ainda tem muito espaço para crescer, já que o percentual da população com acesso aos serviços bancários e de seguro ainda é baixa, se comparado aos Estados Unidos e Europa",

garante.

A American Home comercializa produtos nos ramos automóvel, acidentes pessoais e residencial. Além disso, é a primeira seguradora no mercado a se dedicar exclusivamente à

venda direta de seguro pelo telefone. "A empresa implementou um sistema de atendimento ágil e individualizado. Tudo é feito pelo telefone, da compra do seguro até a assistência total do

segurado no momento do sinistro", comentou o diretor geral da companhia. No ano passado, o AIG faturou R$ 213 milhões em prêmios.

A segunda maior parceria entre grupos estrangeiros

e nacionais no mercado segurador brasileiro foi a "joint venture" entre a Sul América, primeira seguradora no ranking nacional e a americana Aetna, no início do ano passado, numa operação

que envolveu R$ 450 milhões. A parceria está trazendo para o País novas opções de seguro saúde, entre elas o "managed care", conceito difundido nos EUA, que dá mais ênfase à prevenção,

trazendo de volta a figura do médico de família.

O presidente da Sul América, Rony Lyrio, reforça a opinião do diretor-geral da American Home: a entrada de capital estrangeiro no

setor de seguros vai continuar. Porém, ele acredita que este ingresso deverá ocorrer através de parcerias e não por transferência de comando. "Isto pelo fato de que as cinco maiores

seguradoras do mercado já fazem parte de um conglomerado que envolve banco e companhias de seguro." No ano passado, a seguradora faturou R$ 3,454 bilhões em prêmios. Para este ano, ele

prevê um faturamento entre R$ 3,7 milhões e R$ 3,8 milhões, o que representaria um crescimento de 10% em relação a 1997.

Rony Lyrio conta que a Sul América vai continuar com a mesma

política de crescimento que vem praticando no mercado, ou seja, buscando parcerias se for necessário. Ele não descarta a possibilidade, inclusive, de a Sul América adquirir empresas que

atuam na área de planos de saúde, como forma de consolidar sua posição no mercado. "Com a nova regulamentação dos planos e seguros saúde, que teve sua entrada em vigor prorrogada para

novembro, muitas empresas não terão condições de continuar operando no setor, em função das exigências que a lei impõe", ressaltou.

O grupo espanhol Mapfre detém o controle

acionário da Vera Cruz Seguradora. De acordo com o diretor de operações da empresa, Juan Manuel Bello, o processo de aquisição da empresa teve início em 1992. "Naquela época, a legislação

brasileira impedia que um grupo estrangeiro tivesse a maioria das ações em empresas nacionais. Por este motivo, o grupo comprou inicialmente 49% das ações", garantiu. Ele conta que, somente

em maio de 1996, a Mapfre adquiriu o controle total. "Desta forma, ratificamos nossa confiança no mercado brasileiro como peça-chave no processo de expansão internacional do grupo."



Juan Bello reforça a opinião dos representantes da American Home e da Sul América: haverá novos ingressos de capital estrangeiro no mercado segurador brasileiro. "Porém, em menos

intensidade do que a entrada registrada nos últimos dois anos. Isto porque todos os grandes grupos internacionais já tem presença marcada no setor", afirmou, acrescentando que o ingresso de

novos operadores estrangeiros deverá ocorrer através de "joint ventures" com instituições já existentes no Brasil. Em 1997, a Vera Cruz alcançou um faturamento em prêmios de R$ 369,4

milhões. Já no primeiro semestre deste ano, a seguradora totalizou R$ 218 milhões em prêmios emitidos, um aumento de 25 % em relação a igual período do ano passado. O diretor de operações

da companhia estima para este ano faturamento de R$ 430 milhões.



Fonte: Gazeta Mercantil, 17/08/1998

Por: Cecília Barroso do Rio



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