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O Brasil Diante das Novas Turbulências
O Brasil, afirmam os otimistas, é menos vulnerável à crise internacional, hoje, do que era em

outubro do ano passado. Os pessimistas dizem o contrário e apresentam seus argumentos: a situação fiscal piorou, o déficit comercial continua elevado, embora tenha diminuído um pouco, e a

moeda permanece valorizada. Por isso, se a situação na Ásia piorar, com o prolongamento da crise japonesa e uma possível desvalorização do yuan, divisa da China, o Brasil será atingido pela

especulação cambial. Para justificar sua tranqüilidade, por sua vez, os otimistas também dispõem de bons argumentos: o nível de reservas - R$ 73 bilhões -, o êxito das privatizações, os

crescentes investimentos diretos e a melhor situação dos investidores internacionais, menos expostos, hoje, nos mercados mais perigosos. Além disso, o ingresso de recursos de longo prazo

diminui o risco de uma perda repentina de dólares. Não nos parece aconselhável tomar partido por uma dessas duas posições.

As duas têm pontos fortes de sustentação. Se fosse uma

discussão acadêmica, seria razoável deixar a história decidir a pendência - mas essa atitude, na prática, pode ser excessivamente custosa. Se os fatos derem razão aos otimistas, o País nem

por isso estará, dentro de alguns meses, muito melhor do que hoje. Se ocorrer o contrário, nem os vencedores da polêmica terão motivo para festejar.

Vale a pena examinar mais alguns

pontos, para uma avaliação mais completa do quadro. Do cenário externo, será útil destacar quatro aspectos: 1) o epicentro da crise, agora, é a segunda maior economia do mundo; 2) se a

China for envolvida e houver uma depreciação do yuan, um novo tremor sacudirá toda a Ásia, com reflexos prováveis em todo o mundo; 3) a Rússia está hoje muito mais próxima da crise do que

no ano passado; 4) nos Estados Unidos, ninguém sabe com certeza se ainda haverá uma grande correção de preços de ações e de outros ativos reais, que poderá marcar o fim da fase de

prosperidade que já dura sete anos, ou se a economia continuará crescendo depois de um suave desaquecimento.

Do cenário interno, convém destacar três pontos: 1) os juros têm caído,

mas depois de causar um estrago considerável na economia. Se for preciso aumentá-los, de novo, os danos poderão ser muito mais sérios; 2) a economia já está em ritmo muito lento. Um novo

arrocho começaria com o desemprego já elevado e com empresas mais vulneráveis do que há um ano; 3) já houve aumento de impostos e um aperto tributário mais forte seria sufocante.



São sete bons motivos para qualquer governo pensar com muita seriedade em medidas de segurança. O quadro internacional é bastante assustador, neste momento, para estimular os governos a

agir, agora, com maior eficiência do que entre julho e outubro do ano passado, quando cresceu a turbulência na Ásia. O governo chinês tem mantido o compromisso de sustentar o yuan. Ninguém

sabe com segurança até quando poderá fazê-lo, e isso de ve motivar os governos das principais potências a intervir. O esquema de ajuda à Rússia está montado e o presidente Bóris Yeltsin vem

procurando avançar na reforma fiscal. No Japão, a resposta do governo continua lenta e insuficiente, mas o agravamento da situação social poderá estimular uma ação mais firme do novo

primeiro-ministro. Extra-oficialmente, fala-se em desemprego de 10% da mão-de-obra, enquanto os números oficiais apontam cerca de 4% - uma taxa desastrosa, de toda forma, pelos padrões

tradicionais do Japão.

No caso do Brasil, é fácil identificar as medidas de segurança mais urgentes. Mais do que nunca, é indispensável deixar clara, para todo o mercado, a

disposição de aprofundar o ajuste fiscal, tanto pelo controle de gastos quanto por uma séria proposta de reforma tributária, claramente desenhada para tornar o País mais competitivo. Sem

isso, será fantasioso pensar em juros civilizados e crescimento sustentável. Outro passo urgente é pôr em funcionamento, para valer, o novo esquema de promoção de exportações, tornando a

política de comércio, ao mesmo tempo, um item básico da estratégia de governo. O crescimento econômico será, sem dúvida, a conseqüência da aplicação dessas medidas de segurança. Mas ele só

ocorrerá, no entanto, se essas condições mínimas de estabilidade forem garantidas. Isso o mercado sabe muito bem.



Fonte: O Estado de S. Paulo, 13/08/1998

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