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Bancos Têm Baixa Produtividade
Estudo da McKinsey mostra que instituições brasileiras são menos eficientes que as

americanas


Os bancos brasileiros ainda têm muito a evoluir em matéria de produtividade, apesar dos progressos feitos desde o Plano Real. As instituições financeiras nacionais

têm uma produtividade 60% inferior às suas similares norte-americanas. Se comparadas com as holandesas, campeãs em matéria de eficiência, as instituições brasileiras ficam em um patamar

ainda mais baixo, com uma produtividade 73% inferior. Os dados são de um estudo sobre produtividade feito pela consultoria americana McKinsey.

"O ambiente macroeconômico , com altas

taxas de inflação, e a forte presença do governo no sistema financeiro são as principais causas da diferença de produtividade entre o Brasil e outros países", afirmou Bill Jones Jr.,

gerente de projetos da McKinsey.

As condições macroeconômicas causaram impactos no dia-a-dia dos bancos na forma de um desestímulo ao investimento em automação, o que acabou por

diminuir a eficiência do sistema, informou Jones. A inflação proporcionava ganhos fáceis com "float", relegando a preocupação com a produtividade a um segundo plano. Além disso, a economia

era fechada, o que tornava difícil a importação de equipamentos de informática. Em 1992, por exemplo, o preço de um caixa automático (ATM) era 7,5 vezes superior ao salário anual de um

funcionário. Quatro anos depois, o ATM custava apenas 1,9 vezes mais que o salário de um funcionário. No mesmo ano, a relação era de 0,7 nos Estados Unidos.

Para Jorge Higashino,

diretor de serviços bancários da Federação Brasileira das Associações de Bancos (Febraban), os bancos brasileiros têm um grau de automação adequado, mas são prejudicados em função da

pequena automação comercial. Se o comércio estivesse mais automatizado, o número de transações não-eletrônicas poderia diminuir.

As transações não-eletrônicas correspondiam a 71% do

total de transações feitas nos Estados Unidos, em 1994. Na Holanda, eram de 12% no mesmo período. No Brasil, 81%, segundo o estudo. O pagamento de contas responde por 18% das transações

não-eletrônicas feitas no Brasil, de acordo com a McKinsey.

No mercado, é ponto pacífico que a baixa produtividade dos bancos brasileiros, se comparados aos padrões internacionais,

está ligada às características do sistema de pagamentos brasileiro. A possibilidade de pagar contas de água, luz e também receber aposentadoria nas agências, por exemplo, é tida como fator

que onera as instituições, que têm de manter estruturas grandes para processar as transações. "Os bancos brasileiros tornaram-se meros pagadores e recebedores, esquecendo que o trabalho

deles é fazer negócios e conceder créditos", afirmou Hugo Dantas Pereira, diretor executivo de varejo, serviços bancários, tecnologia e infra-estrutura do Banco do Brasil.

No

entanto, Jones considera que, se para os bancos esse sistema de pagamentos é oneroso, para o País pode ser vantajoso. Como uma pequena parcela da população tem acesso aos

Bancos - e

não poderia recorrer ao débito em conta corrente para pagar suas contas - , é importante que se possa pagar contas nos bancos.

Ele acredita que outra causa - não menos importante -

que acaba por comprometer a produtividade do sistema é a descentralização dos processos dos bancos brasileiros. Enquanto no Brasil as agências funcionam de forma autônoma processando

transações, nos Estados Unidos há uma centralização dos processamentos, o que diminui a necessidade de funcionários e proporciona ganhos de escala. O estudo da Mckinsey não detectou nenhum

problema com a escala de utilização das agências, e nem com a capacitação da mão-de-obra.

Dados do estudo indicam que, no Brasil, a relação de clientes por agência é de 1,95 mil

enquanto nos Estados Unidos é de 2,35 mil. Esses números poderiam levar à conclusão de que as agências brasileiras estão subutilizadas, mas, segundo Jones, isso não ocorre. O motivo é que

as agências processam muitas transações.

Públicos e privados

Segundo o estudo da McKinsey, a produtividade dos bancos públicos é ainda menor que a dos privados, o que

diminui ainda mais a eficiência do sistema. Os bancos estatais alcançam apenas 60% da produtividade dos privados. Jones, da McKinsey, acredita que isso ocorre porque os bancos estatais têm

objetivos sociais e políticos, e sua produtividade fica comprometida. A cada ano, os bancos públicos gastariam US$ 8 bilhões a mais do que os privados com despesas de pessoal para obter o

mesmo volume de negócios, segundo o estudo. Pereira, do Banco do Brasil, reconhece que os bancos públicos estão mais desajustados que os privados - e que têm problemas para conseguir o

mesmo nível de produtividade: "Os bancos públicos foram prejudicados porque, a cada governo, a rota de condução dos negócios mudava". Além das constantes mudanças, há entraves legais, como

a necessidade de realizar licitações, levando à perda de agilidade.



Fonte: Gazeta Mercantil, 22/04/1998

Por: Luciana Del Caro de São Paulo



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