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Mercado Prevê um Aumento das Reservas
Neste mês, as reservas cambiais podem engordar cerca de US$ 500 milhões - mais do que o dobro do crescimento registrado em dezembro. A expectativa é compartilhada pelos economistas Odair Abate, do Lloyds Bank, e Carlos Guzzo, do Pontual.

Abate espera um acréscimo entre US$ 200 e US$ 500 milhões, "mais próximo ao teto do que ao piso". Guzzo foi mais preciso. Segundo ele, o governo deve conseguir mais US$ 570 milhões este mês, o que elevaria as reservas para a casa dos US$ 52 bilhões, pelo conceito de caixa.

Suas estimativas baseiam-se em algumas hipóteses e em duas certezas. As hipóteses são de que as exportações aumentem em relação à dezembro, e que as entradas de recursos externos cresçam mais do que as saídas na segunda quinzena do mês. E as certezas são que agora em janeiro o volume de vencimentos de eurobônus, cerca de US$ 326 milhões segundo a Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid), é significativamente menor do que a média dos últimos meses. Em dezembro, por exemplo, os vencimentos superaram US$ 1,7 bilhão. Além disso, os pagamentos da dívida externa brasileira somam US$ 655 milhões (US$ 43 milhões ao Clube de Paris e o restante a renegociação de bônus IDU), informou Guzzo. Desses pagamentos, devem ser deduzidos os juros sobre as reservas aplicadas no exterior, que correspondem a cerca de US$ 270 milhões. Assim, a saída líquida seria reduzida a US$ 384 milhões.

Até o dia 14, dados oficiais do Banco Central (BC) mostravam que o saldo do câmbio comercial estava positivo em US$ 833 milhões. Deduzindo as saídas pelo flutuante, que o mercado estima em US$ 653 milhões até a mesma data, sobram US$ 180 milhões. O câmbio contratado para exportação estava em US$ 1,95 bilhão, enquanto aquele para importação, em US$ 1,7 bilhão. O saldo nesse segmento era de US$ 247 milhões. A média diária de exportações estava na casa dos US$ 17 milhões, muito próxima a de dezembro.

Mas Guzzo aposta numa aceleração dos fechamentos de contratos de câmbio nas próximas duas semanas.

Para ele, a antecipação da safra agrícola de maio para abril vai incentivar o aumento dessas operações. O economista também acredita que os avanços nos acertos do Fundo Monetário Internacional (FMI) com os países asiáticos em dificuldades vai melhorar o cenário internacional, abrindo espaço para os investidores estrangeiros possam realocar seus recursos a países emergentes com "maior racionalidade". Guzzo espera que a partir da semana que vem o saldo do câmbio comercial seja incrementado nessas duas pontas, neutralizando as saídas pelo flutuante e gerando um saldo total positivo em US$ 853 milhões entre os dois mercados.

Abate recordou que pelo menos três importantes entradas de recursos externos devem ajudar a engordar o saldo do câmbio financeiro neste mês: a da Caixa Geral de Depósitos, banco português que comprou o Banco Bandeirante, os US$ 100 milhões em bônus caravelas emitidos terça-feira pelo Bradesco e mais US$ 250 milhões captados pela Vale.

Além disso, há o imponderável. Isto é, a atuação do BC no interbancário de dólares, que é invisível e imprevisível. Neste mês, o BC realizou quatro leilões de compra (nos dias 2, 5, 7, e 13) e dois de "spread", para ajuste da minibanda, nos dias 7 e 12. Não é possível saber ao certo quanto o BC conseguiu adquirir nesses leilões, muito menos saber se haverá outros (de "spread", com certeza sim). Nem muito menos se a autoridade monetária terá que atuar na ponta oposta, ou seja, vendendo dólares, em algum momento. Se os bancos decidirem reduzir suas posições vendidas e se faltar moeda na praça, o BC poderá ter que se desfazer de parte de seus dólares para atender a demanda.



Fonte: A Gazeta Mercantil, 16/01/1998

Por: Léa De Luca, de São Paulo



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