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Déficit Corrente Avança Para 4,2% do PIB
O déficit em transações correntes do balanço de pagamentos

brasileiro ficou em US$ 33,842 bilhões em 1997, o equivalente a 4,2% do Produto Interno Bruto (PIB) e US$ 9,495 bilhões acima daquele registrado em 1996. Naquele ano, as despesas do País

com comércio exterior, serviços e transferências unilaterais superaram as receitas em US$ 24,347 bilhões, determinando um déficit de 3,14% do PIB.

As reservas internacionais

fecharam o ano passado em US$ 52,173 bilhões pelo conceito de liquidez internacional (que inclui os haveres disponíveis a médio e longo prazos), frente a US$ 60.110 bilhões acumulados em

dezembro 1996.

O ingresso de capitais estrangeiros diretos, na ordem de US$ 17,048 bilhões, financiou metade do déficit em conta corrente. Desse total, US$ 5,249 bilhões foram

destinados às privatizações. Com isso, ficou em 2,08% do PIB a necessidade de financiamento externo no ano passado. O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, José Roberto

Mendonça de Barros, disse ontem que o déficit em conta corrente deverá cair para 3,5% do PIB em 1998. Essa projeção é baseada principalmente na expectativa de redução, pela metade, do

déficit da balança comercial. O ministro da Fazenda, Pedro Malan, garantiu a empresários canadenses em visita ao País que o Brasil só fica atrás da China no volume de investimentos

estrangeiros diretos.

Gastos com "hedge"

Somente em dezembro último, o déficit em conta corrente foi de US$ 3,896 bilhões. O sub-chefe do Departamento Econômico do Banco

Central (BC), Mauro Grupioni, disse ontem que em 1997 as despesas mais expressivas foram as operações de "hedge" e os serviços técnicos especializados utilizados pelas empresas brasileiras.

Em decorrência da crise asiática, as remessas de divisas nas operações de "hedge" no mercado de derivativos acumularam resultado negativo de US$ 494 milhões, frente a apenas US$ 59 milhões

em 1996. Também pesaram os pagamentos feitos ao exterior por conta da contratação de serviços de mão-de-obra, projetos de engenharia e outros.

Além do déficit da conta de serviços -

que cresceu de US$ 21,707 bilhões em 1996 para US$ 27,502 bilhões em 1997 -, o buraco na conta corrente do balanço de pagamentos foi ampliado pelo déficit da balança comercial, que saltou

de US$ 5,539 bilhões para US$ 8,536 bilhões de um ano para o outro. As despezas com juros da dívida externa ficaram em US$ 14,388 bilhões, decorrentes da captação de recursos estrangeiros e

do pagamento do principal e de serviços de empréstimos renegociados no âmbito do Clube de Paris. As viagens internacionais comsumiram outros US$ 4,377 bilhões, contra 3,594 bilhões gastos

em 1996.

Segundo Grupioni, os brasileiros que viajaram ao exterior em 1997 gastaram US$ 3,467 bilhões em compras com cartão de crédito, enquanto os estrangeiros no Brasil

desembolsaram apenas US$ 398 milhões. A receita com turismo no ano passado chegou a US$ 637 milhões - praticamente o mesmo patamar do ano anterior, de US$ 625 milhões -, contra despesas de

US$ 1,767 bilhão. Grupione disse que o aumento do déficit nas despesas de transportes, que saltaram de US$ 3,479 bilhões para US$ 4,514 bilhões, se justifica pelo aumento do comércio

exterior.

Outro salto significativo ocorreu na conta de lucros e dividendos, cujo déficit saiu de US$ 2,373 bilhões para US$ 5,597 bilhões de um ano para o outro. Na avaliação do

BC, isso se deve ao aumento, em 1997 contra 1996, das remessas de dividendos e bonificações de aplicações feitas no Brasil por investidores institucionais. Esse crescimento foi de US$ 700

milhões. Também contribuiu a insenção do Imposto de Renda, a partir de janeiro do ano passado, nos lucros remetidos ao exterior, além de refletir a elevação dos investimentos diretos no

País.

Em dezembro último, as operações de câmbio foram superavitárias em US$ 3,5 bilhões, contra déficit de US$ 404 milhões em novembro. Com isso, o resultado líquido de 1997

atingiu US$ 14,9 bilhões, contra US$ 23,8 bilhões em 1996. No ano, o segmento livre registrou superávit de US$ 17,7 bilhões e o segmento flutuante atingiu US$ 2,7 bilhões de saldo negativo.

O BC ressaltou que embora esse resultado tenha sido superior ao ocorrido em 1996 - de US$ 1,4 bilhão -, a participação do segmento flutuante no total dos recursos transacionados no mercado

de câmbio foi de 4%, declinando mais de um ponto percentual em relação ao ano anterior.

As captações externas em dezembro totalizaram US$ 12,2 bilhões. No ano passado, elas chegaram

a US$ 129 bilhões, 63% acima daquelas realizadas em 1996. No mês passado, os investimentos estrangeiros, no valor de US$ 4,9 bilhões, ficaram próximos à média mensal dos onze meses

anteriores. "Assim, tanto os investimentos diretos quanto os de portfolio mantêm-se firmes", afirma a nota do BC. Foram destaque no ano passado o crescimento de investimentos diretos (86%),

os empréstimos entre companhias (100%), os financiamentos (254%) e as operações de leasing (114%). O ingresso de divisas foi incentivado pela redução do Imposto sobre Operações Financeiras

(IOF) sobre operações de câmbio relativas a empréstimos externos, aplicações em fundos de renda fixa - capital estrangeiro e fundos de privatização.

(Colaboraram Nélia Marquez do

InvestNews, e Luís Eduardo Leal)




Fonte: A Gazeta Mercantil, 16/01/1998

Por: Liliana Enriqueta Lavoratti de Brasília



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