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Como o governo vê o futuro da balança comercial
US$ 9,6 bilhões em l997 seriam o teto do déficit
O diretor de Política Monetária do Banco Central, Francisco Lopes, disse ontem que o déficit comercial brasileiro "certamente será zerado em dois a três anos". Ele acha muito provável que o déficit comercial de l998 seja menor do que o deste ano, que deverá ser inferior a US$ 10 bilhões,segundo o diretor.

Na visão de Lopes, o pior da crise cambial asiática (e do risco de contágio no Brasil) já passou e a economia brasileira deve manter-se em um ritmo estável de crescimento, de 3 a 4%, neste ano e no próximo. O setor comercial externo deve caminhar na direção de um crescimento de exportações de 9 a 10% ao ao ano - nível que seria "histórico"- e um crescimento das importações inferior, estabilizado no mesmo ritmo do aumento do PIB.

O diretor do BC apresentou cálculos para sustentar sua previsão de que o déficit comercial neste ano provavelmente será inferior a US$ 10 bilhões. O déficit comercial nos doze meses até agosto foi de US$ 10,4 bilhões. Mas uma vez completada a revisão das importações em razão dos erros nos registros do Siscomex, esse número deve recuar para próximo de US$ 9,4 bilhões. Supondo-se que o déficit de setembro chegue a US$ 800 milhões, maior que os US$ 650 milhões de setembro de l996, o déficit nos doze meses até setembro deste ano bateria em US$ 9,65 bilhões, que seriam o teto do déficit.

Desse ponto em diante, Lopes compara o trimestre final de l997 com o mesmo período em l995 e l996. Em l995, a média de déficit mensal no último trimestre foi de apenas US$ 110 milhões. Se o comportamento do último trimestre deste ano fosse igual ao de l995, o déficit em l997 seria de apenas um pouco mais que US$ 6 bilhões. Essa hipótese é obviamente descartada, já que a economia estava menos aquecida em l995 e o processo que Lopes chama de a "deterioração" (isto é, o aumento) do coeficiente de importações ainda estava em um estágio anterior (e portanto menor) de desenvolvimento.

Segundo o diretor do BC, a política monetária deve ser "muito conservadora e austera para sempre" .O Brasil, portanto, tende a ser uma "Alemanha" em termos de política monetária, para Lopes. A política monetária conservadora, para o diretor, é a grande "âncora" da estabilidade.

Lopes sinalizou ainda estabilidade na política de juros, com a garantia apenas de que a tendência é declinante no longo prazo.Ele considerou "grande" a queda de juros prevista na proposta orçamentária do governo para l998, de l8% no próximo ano (a projeção dos juros básicos para l997 é de 21,4%), e deixou claro que se trata efetivamente de uma previsão - a política monetária não está necessariamente amarrada àquela meta. Ele não fez nenhuma previsão sobre os juros em 98.

O Brasil, ele observou, ao contrário da Argentina, não tem um sistema em que a austeridade é produzida de forma automática, independentemente do arbítrio do banco central. Exatamente por isso, Lopes admitiu que uma mudança de governo no Brasil, que desse outra orientação à política monetária de um banco central ainda sem autonomia, poderia ser problemática.

Voltando à conta de comércio Lopes observou que se, por um lado,o bom desempenho do último trimestre de l995 é irrealizável, o desempenho desfavorável do último trimestre de l996 é o provável teto máximo de crescimento do déficit em l997. Em l996, a média mensal do déficit no último trimentre foi de US$ 1,3 bilhão. Lopes observou que a economia, no mínimo, não deverá estar mais aquecida no último trimestre de l997 do que em igual período de l996. Na verdade, a economia "acelerava" no último trimestre de l996, e estaria estabilizada agora.

Neste cenário, e supondo-se que o coeficiente de importações já parou de "deteriorar", a média mensal do último trimestre de 97 não superará a do último trimestre de 96.

Isto siginifica, em outras palavras,que o déficit de US$ 9,6 bilhões atingindo nos últimos doze meses até o final de setembro será o teto do déficit comercial de l997.

O ponto mais frágil desta previsão, admitiu Lopes, é saber se realmente o coeficiente de importações parou de "deteriorar", e até que ponto o seu crescimento pode ser neutralizado por um aumento igual ou superior das exportações. Ele não tem certeza deste ponto, mas fia-se na percepção de uma aceleração do crescimento das exportações e desaceleração do crescimento das importações para considerar provável que o déficit no último trimestre de 97 efetivamente não supere o de igual período em l996.


Fonte: Gazeta Mercantil, 11/09/1997

Por: Fernando Dantas



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