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Interesse pela América Latina
Bancos estrangeiros disputam arduamente novas fatias de mercado
A tímida atuação que

caracterizou a presença dos bancos estrangeiros no Brasil no passado é nada mais do que isso. Coisa do passado. Desde o começo do ano, grandes instituições disputam com voracidade uma fatia

do mercado brasileiro de olho nas oportunidades de negócios criadas pelo Mercosul e pela estabilidade monetária.

Os últimos dias, o controle acionário de mais de três instituições

trocou de mãos .O Banco Boavista, 23º no ranking nacional por ativos, foi comprado pelo português Banco Espírito Santo, e o American Express Bank - braço financeiro internacional da

American Express Company- anunciou uma joint venture com o SRL - na 75º posição. O American International Group (AIG) adquiriu o controle do Banco Fenícia. O objetivo é atuar na área de

crédito ao consumidor." Há pelo menos outros 30 bancos estrangeiros chegando ao Brasil no momento",afirma Carlos Coradi, sócio da EFC & CONSULTORES.

O aumento da renda da população

provocado pela queda da inflação permitiu o acesso de mais gente ao mercado financeiro, mais pessoas passaram a ter conta em banco, cartão de crédito e até a aplicar nas bolsas de

valores.Desde o começo do ano, a classe média brasileira colocou R$ 5,7 bilhões no mercado de capitais.

Quando os executivos dos principais bancos estrangeiros cruzaram todas essas

informações, não foi difícil concluir que não dava mais para adiar posições mais agressivas na América Latina, apontada já há algum tempo como uma das regiões de maior potencial de

crescimento no mundo.

As privatizações brasileiras colocarão muito dinheiro na praça e o comércio intra-Mercosul e dele para outros blocos ainde têm muito para crescer. Isso sem

falar na demanda por empréstimos, novos produtos, operações estruturadas, financiamentos para construção de novas plantas industriais e aumento de capacidade instalada.Com tal cenário ante

os olhos, ficou óbvio que quem chegar primeiro na festa leva a melhor fatia do bolo. Apesar das restrições que a legislação brasileira impõe aos bancos estrangeiros, o governo conseguiu

contornar a Constituição. Uma lei da década de 80 permite que os estrangeiros aumentem sua participação no país desde o que o presidente da República autorize, sob o argumento de "interesse

da nação".

O aumento da participação estrangeira no país tem ocorrido por meio da aquisição dos bancos que sofreram intervenção do Banco Central nos últimos anos. O caso mais

conhecido é o Hong Kong and Shangai Banking (HSBC), que comprou o Bamenrindus e agora ocupa a quinta posição no ranking brasileiro. Por capital, o HSBC é o maior banco do mundo, segundo a

revista "The Banker" de l996.

O interesse internacional pela região não é motivado apenas pelas oportunidades de negócios que começam a se delinear. "Os bancos que estão chegando

não têm grandes chances de expansão nos seus países nos seus países de origem, por isso buscam mercados menos saturados", afirma Dany Rappaport, economista do Banco Santander.

Os

bancos espanhóis estão bastante interessados no Brasil. O Santander comprou este ano o controle do Noroeste e o do Geral do Comércio. O Bilbao Vizcaya, apesar de ainda não possuir qualquer

participação local, tem um escritório de representação em São Paulo e estuda diversas possibilidades. Uma delas seria o Banespa, Banco do Estado de São Paulo na fila da privatização. O

Bilbao já tem negócios em quatro países sul-americanos.

As instituições brasileiras começaram a reagir à possibilidade de perda de mercado. O Itaú, por exemplo, comprou o Banco

Francês e Brasileiro (BFB) e anunciou um plano ousado para o mercado argentino, país em que abriu 24 agências. O Unibanco comprou o Nacional e o Excel, o Econômico.

Entre

instituições de pequeno e médio porte, não faltam rumores sobre negociações em andamento. "Os médios estão afoitos para sair do mercado.Quem quiser continuar tem de aumentar seu volume de

ativos e montar uma estrutura internacional", diz Rappaport, do Santander.



Fonte: Gazeta Mercantil, 00/00/0000

Por: Carlos Alberto Júnior



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