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Rubin quer mais bancos em países emergentes
Secretário do Tesouro dos EUA acha que os bancos estrangeiros podem

ajudar a manter sólidos e estáveis os sistemas financeiros
O Secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Robert Rubin, defendeu ontem com ênfase uma maior abertura do setor financeiro dos

países emergentes à entrada de bancos estrangeiros. Segundo ele, esta é a melhor forma de compatibilizar os sistemas financeiros dos "emergentes" com o processo de abertura das finanças

internacionais.

Além de mais bancos estrangeiros nos países em desenvolvimento, Rubin quer que o Fundo Monetário Internacional (FMI) encontre meios de reforçar suas exigências de

abertura de informações sobre reservas internacionais e sobre o comportamento dos bancos comerciais no países emergentes.

E, mais, sugeriu que as agências privadas de classificação

de risco de crédito tomem a si a tarefa de acompanhar o progresso individual dos países em implementar os princípios da Basiléia (para supervisão bancária) e passarem a publicar suas

avaliações junto com os indicadores de risco de crédito do próprio país.

"A experiência mostra que a abertura para fora pode melhorar a capacidade do país de construir um sólido e

estável sistema financeiro doméstico.

É por isso que estamos pressionando por um aumento substancial do acesso dos estrangeiros aos maiores mercados financeiros emergentes nas

nossas atuais negociações para um acordo de liberalização dos serviços financeiros no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC). É também por isso que todos os países membros do FMI

(Fundo Monetário Internacional) estão se movendo para fazer da liberalização do mercado de capitais um objetivo básico do FMI e estender seu alcance para incluir os movimentos de capital",

disse Rubin.

O secretário norte-americano falou na abertura dos trabalhos da mesa-redonda promovida pelo Instituto of Internacional Finance (IIF), em Hong Kong, sobre "estabilidade

Financeira e supervisão nos Mercados emergentes". A sua não é uma posição isolada, mas largamente compartilhada por autoridades de outros países, pelas instituições multilaterais e demais

organismos internacionais. Lembrando que o comportamento dos depositantes é o teste final para a segurança de um banco, o economista-chefe do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID),

Ricardo Hausmann, notou que a entrada dos estrangeiros nos emergentes tem o efeito de promover de nível a supervisão bancária, em benefício dos depositantes.

"Os bancos estrangeiros

estão sujeitos à supervisão bancária de seus próprios países e origem, isso representa uma vantagem em termos de competitividade e força os bancos nativos a requererem melhor supervisão nos

países emergentes", comentou ele. O processo de abertura da América Latina aos bancos estrangeiros tem se dado a passos acelerados nos últimos anos, seguindo justamente a tendência indicada

por Rubin. Só na Venezuela, alguém lembrou, chegou-se a vender a estrangeiros em apenas um mês boa parte do setor bancário doméstico.

É um processo que avança com a própria

globalização dos mercados. O secretário do Tesouro do Estados Unidos deu uma idéia do envolvimento dos emergentes no sistema financeiro internacional: "em l992, meu último ano em banco de

investimento antes de entrar para o governo, l6 países em desenvolvimento emitiram dívida soberana nos mercados internacionais. Hoje, 56 países já fizeram isso, com o número crescendo a

cada mês. Mais de 30 países vieram ao mercado pela primeira vez nos últimos dois anos", disse ele. Juntando com as captações feitas também pelo setor privado, além de governos regionais e

locais, o montante de dinheiro destinado aos países em desenvolvimento no ano passado somou US$ 250 bilhões, contra US$ 25 bilhões em l986.

A entrada de dinheiro estrangeiro em um

país traz, sem dúvida, benefícios, mas pode ser fonte de sérios problemas caso o sistema bancário não esteja estruturado em bases sólidas.O FMI, segundo Rubin, calculou que dois terços dos

seus membros (são 181 os países que fazem parte do organismo), desenvolvidos ou em desenvolvimento, já tiveram problemas significantes no setor bancário nos últimos l5 anos. O custo fiscal

para os governos limparem aquelas crises tem sido elevado, variando do equivalente a 3% do PIB (Produto Interno Bruto) no caso da crise norte-americana na área de poupança e empréstimo para

até bem acima de 20% do PIB, que foi o custo da crise bancária chilena dos anos 80.

A idéia de Rubin de que as agências privadas de classificação de risco passem a tornar públicas

suas avaliações sobre a situação econômica dos países foi imediatamente comprada pela vice-presidente do Federal Reserve Board ( Fed - o banco central dos Estados Unidos), Alice Rivlin.



Ela, na verdade, lançou durante mesa-redonda um desafio ao setor privado-aqui englobados os bancos, as instituições financeiras em geral e as agências de risco - para que assuma a

tarefa de acompanhar de perto como as economias dos países estão se comportando. Alguém na platéia que trabalha em agência de classificação de risco levantou-se e retrucou que esse é um

trabalho que qualquer agência estaria disposta a fazer mediante pagamento, já que envolveria a prestação de um serviço remunerado.

O problema da supervisão bancária nos emergentes,

apesar de ser aparentemente técnico, envolve uma discussão com fortes nuances políticas e até mesmo éticas. O chefe do escritório financeiro e membro do conselho executivo do grupo ING,

Gees Maas, fez, sem criar nomes, uma importante advertência: "os bancos comerciais podem ajudar a aperfeiçoar a supervisão mas em nada contribuem para evitar a crise se continuarem a

contribuir com empréstimos de curto prazo para bancos centrais de alguns países que enfrentem perda de reservas, este é um estranho fenômeno que tem acontecido no último um ano e meio.



Sobre a abertura à informação, Mas defendeu que os governos deveriam dar mais e melhores informações sobre nível das suas reservas internacionais em termos líquidos e sobre o perfil

de suas dívidas de curto prazo.

Há, além disso, um consenso generalizado de que os bancos dos países em desenvolvimento correm risco de enfrentar problemas se ficarem limitados aos

25 princípios básicos recomendados pelo comitê da Basiléia para Supervisão Bancária em abril deste ano (o comitê foi criado em l975 pelos governadores dos bancos centrais do chamado G-10,

que reúne os dez países mais industrializados).

Um dos princípios mais importantes recomenda que os bancos tenham uma taxa de capitalização de pelo menos 8% de ativos (valor dos

créditos a receber) com relação ao passivo (valor das obrigações que tem a pagar) mas este nível, considerado suficiente para os países industrializados, é baixo para os bancos dos países

"emergentes".

"Muitas vezes, autoridades de países emergentes chegam para mim e dizem que estão introduzindo as regras da Basiléia mas é preciso que elas entendam que estes são

padrões mínimos e, como está provado, são insuficientes para bancos em países sujeitos a maior volatilidade", advertiu ontem em Hong Kong o diretor-geral do Banco Internacional de

Compensações-BIS, o banco central dos bancos centrais, que tem sede na Basiléia, Suíça, Andrew Croockett.

Cezary Stypulkowski, presidente do Bank Handlowy Warszawiie, da Polônia,

era um dos poucos representantes de países emergentes sentados à mesa do debate (nenhum brasileiro participou da mesa-redonda) e foi muito claro ao criticar as autoridades dos países mais

desenvolvidos por pedirem por melhor supervisão bancária emergentes mas sem indicar qual o modelo é mais recomendado para esta fase de abertura de integração que se vive atualmente. Nenhum

representante do mundo desenvolvido teve uma resposta para Cezary.


Fonte: Gazeta Mercantil, 23/09/1997

Por: Maria Clara R. M. do Prado



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