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Ainda Longe do Padrão Internacional de Eficiência
Para atingir os padrões internacionais de eficiência, os bancos brasileiros precisarão aumentar em 10% a 15% os ativos, ou cortar as despesas em um percentual equivalente.

O calculo foi feito pelo analista Erivelto Rodrigues, da empresa de consultoria Austin Asis, a partir do exame de um dos índices que melhor mede a eficiência ou produtividade dos bancos ao comparar os custos operacionais com os ativos totais, ou seja aferindo quanto o banco gasta em pessoal e outras despesas administrativas para formar os ativos, fonte de suas receitas.

O índice de produtividade dos bancos brasileiros ficou em 7,2% no final do ano passado. Já houve um bom avanço em relação aos anos anteriores. Em 1993, o índice era de 10%; em 1994, de 9%; e em 1995, de 7,5%. Mas os bancos brasileiros ainda estão com um índice mais de três vezes maior do que a média internacional de 2% e acima mesmo dos 5% da média da América Latina.

Para melhorar esses índices, há dois caminhos, afirmou Rodrigues: cortar as despesas ou aumentar os ativos, em cerca de 10% a 15%. A primeira alternativa, segundo Rodrigues, tem uma limitação. "Os bancos brasileiros estão cortando custos há dois anos mas sempre terão uma estrutura mais pesada do que os concorrentes de outros países porque no Brasil eles prestam o serviço singular de arrecadar impostos e receber o pagamento das contas mais variadas", explicou.

O segundo caminho, aumentar os ativos, exigirá um grande esforço dos bancos. Afinal, os bancos somam atualmente ativos totais de US$ 500 bilhões e crescer de 10% a 15% significa aumentá-los em R$ 50 bilhões a R$ 75 bilhões. Atingir esse objetivo não depende apenas da vontade das instituições, lembrou Rodrigues, mas também das condições macroeconômicas. Se o governo não estiver interessado no aquecimento da economia, como já esteve no passado e atualmente, lançará mão de instrumentos fiscais ou de poítica monetária para segurar o crédito, insensível ao ajuste dos bancos. Por isso, o índice médio de eficiência dos bancos brasileiros marcou passo nos dois últimos anos.

Uma variante dessa alternativa é a compra de outras instituições ou a fusão, que resulta em aumento de ativos e é sugerida por vários analistas (ver matéria acima). Rodrigues observou, no entanto, que esse tipo de operação não traz resultados imediatos, como comprova o exame do índice de eficiência de instituições que passaram recentemente por processos de absorção de concorrentes.

O Unibanco, por exemplo, que assumiu ativos e passivos do Nacional no final de 1995, viu seu índice de despesas operacionais vs. ativos aumentar 6% naquele ano para 9,5% no final de 1996, voltando ao patamar de 1994.

No Bandeirantes, que absorveu o Banorte, aconteceu o mesmo: o índice subiu de 8,9% para 10,5% entre 1995 e 1996, voltando aos níveis de 1994 (ver tabela) A tabela também mostra a situação dramática dos bancos estaduais, que ajudam a puxar a média brasileira para cima. A instituição com maior custo operacional em relação ao ativo (20,2%) no ano é o Meridional, que será privatizado ainda neste ano. O segundo pior lugar é de outro banco estadual, o Banco do Estado de Santa Catarina (Besc) com 16,9%.

Alguns bancos de capital estrangeiro já estão perto do patamar internacional como o CCF Brasil com 1% ou o Chase Manhattan, com 2,4%. Os grandes bancos de varejo estão acima da média nacional, ao redor de 9%.

Rodrigues espera que os bancos brasileiros cheguem mais perto do padrão internacional dentro de dois anos, se a situação macroeconômica permitir, mas não acredita em um empate de índices por causa das funções arrecadadoras que as instituições assumiram no Brasil. Sua expectativa é que, já neste ano, o índice caia para 6%.

O índice de eficiência medido pela relação entre despesas operacionais e ativos, anteriormente pouco examinado no Brasil, já começa a chamar a atenção dos analistas que, com certeza, usarão a safra de balanços semestrais do setor financeiro que começará a ser divulgada nos próximos dias para avaliar a situação do sistema. Os bancos já estão conscientes disso. Tanto é que os primeiros a divulgar os balanços semestrais incluiram essa informação em seus relatórios. O Banco Dibens afirmou que seu índice era de 3,9% no final do primeiro semestre e que atingir o padrão médio internacional é uma das metas do plano de reestruturação que implementa há um ano e meio.



Fonte: Gazeta Mercantil, 28/07/1997

Por: Maria Christina Carvalho



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